BEM-VINDOS
Santa Maria Immacolata delle Grazie
Um lugar de fé, arte e história no coração de Bergamo. Descubra a igreja, o seu património artístico, a devoção ao Santo Jesus e informações práticas para a sua visita.
A Igreja
A história da igreja de Santa Maria Immacolata delle Grazie remonta ao século XV e está intimamente ligada à presença franciscana em Bergamo. Em 1422, Pietro d’Alzano doou um terreno para a construção de um convento dedicado a Santa Maria delle Grazie.
A igreja atual foi construída no século XIX, segundo o projeto do arquiteto Antonio Preda. As obras começaram em 1857 e a nova igreja foi solenemente consagrada a 7 de dezembro de 1875.
Construída em estilo neoclássico e com planta em cruz grega, a igreja conserva um importante património artístico e religioso, constituído por pinturas, frescos, esculturas e obras ligadas a séculos de vida religiosa na cidade de Bergamo.
Santo Jesus
O Santo Jesus é uma das mais importantes imagens de devoção conservadas na igreja de Santa Maria Immacolata delle Grazie.
Segundo a tradição histórica, a imagem de Cristo carregando a Cruz esteve ligada a acontecimentos milagrosos ocorridos em 1544 e 1575. A 15 de setembro de 1608, duas testemunhas afirmaram ter visto a figura de Cristo erguer-se, enquanto a sua veste vermelha se tornava branca com bordos dourados e surgiam no seu corpo os sinais da Paixão. A imagem foi então interpretada como uma representação de Cristo Ressuscitado.
Em 1889, após a demolição da antiga capela, o fresco foi destacado da parede e solenemente transferido para a capela onde ainda hoje é conservado e venerado.
Itinerário artístico
Utilize a planta numerada da igreja para descobrir os seus principais elementos artísticos e devocionais.
Exterior – 1–7
1. Fachada
Fachada neoclássica de ordem coríntia e planta em cruz grega, projetada por Antonio Preda (1856–1857).
2. Campanário
Campanário projetado por Elia Pirovano (1928–1929), com um conjunto de oito sinos afinados em Sol bemol.
3. Placas comemorativas
Placas dedicadas aos mortos nas guerras de 1915–1918 e 1940–1945, realizadas respetivamente por D. Fornoni e C. Comana.
4. Relevos escultóricos da fachada
Relevos realizados por C. Archenti, M. Clandestini, M. Faino, G. Manzoni e A. Paleni, cerca de 1906. Os relevos do lado esquerdo representam episódios relacionados com a fundação da antiga igreja por São Bernardino de Siena, em 1422; os do lado direito representam cenas com santos.
5. Pronaos
Pronaos em arenito, projetado por E. Fornoni (1904–1906), com colunas provenientes da antiga igreja. Na parte superior do tímpano encontra-se Anjos transportando a Cruz, de C. Archenti e M. Faino, cerca de 1906.
6. Portal de bronze
O portal de bronze, realizado por C. Coter em 1939, está dividido em três painéis simétricos que representam:
- a antiga igreja e o convento delle Grazie, com a Capela do Santo Jesus;
- a Virgem Imaculada e o Santo Jesus protegendo a cidade de Bergamo;
- os Propileus de Porta Nuova.
7. Sobre o portal de entrada
A Imaculada Conceição num prado de lírios, com Anjos e Santos, fresco de A. Spinelli, 1904.
Área central – 8–19
8. Pias de água benta
Pias de água benta em mármore vermelho de Verona esculpido, de meados do século XIX.
9. Contrafachada
Sobre a entrada: A expulsão dos mercadores do Templo, fresco de G.B. Epis, 1867.
10. Pinturas nos nichos do átrio
Pinturas a óleo sobre tela, escola lombarda, último quarto do século XVII:
A: Jesus entre os Doutores do Templo
B: Apresentação de Maria no Templo
11. Cornija do interior da igreja
Frisos monocromáticos com símbolos marianos e episódios do Evangelho relacionados com Maria, frescos de A. Morgoli, 1866.
12. Medalhões da abóbada do átrio
Frescos de A. Guadagnini, 1866:
A: Nascimento de Maria
B: Casamento de Maria
C: Anjos com estandarte mariano
13. Doutores da Igreja
Nos pendentes da abóbada: Os Doutores da Igreja latina e oriental celebram a Virgem Maria, frescos de E. Scuri, 1867. No sentido dos ponteiros do relógio:
A: Santo Agostinho
B: Santo Ambrósio
C: Santo Efrém, o Sírio
D: São João Damasceno
14. Virtudes marianas
No intradorso da cúpula encontram-se estátuas em estuque que simbolizam as virtudes marianas: Fé, Esperança, Caridade, Temperança, Humildade, Justiça, Prudência e Fortaleza, realizadas por L. Pagani, 1865–1867.
15. Cúpula
Na calota da cúpula: A entrada triunfal de Maria na glória do Céu, fresco de E. Scuri, 1865–1866.
16. Púlpitos
Púlpitos destinados à proclamação da Palavra e à pregação, decorados com representações das Tábuas da Lei e do Evangelho, de meados do século XIX.
17. Confessionários
Confessionários em madeira entalhada, de meados do século XIX.
18. Via-Sacra
Via-Sacra em madeira entalhada e pintada, realizada por G. Manzoni, 1931.
19. Batistério
Decoração em mármore e mosaico segundo projeto de D. Fornoni, 1932:
A: Anjo com cartela, fresco
B: Batismo de Jesus no Jordão
C: Crucificação com a Santíssima Trindade
Escultura em bronze: O Anjo da Guarda apresenta o batizado a Deus, de G. Siccardi, 1932–1933.
Transepto esquerdo – 20–23
20. Medalhões da abóbada
Frescos de G. Carsana, 1866:
A: Maria e o Filho crucificado, de E. Scuri, 1866
B: Dormição de Maria
C: Assunção de Maria
21. Altar lateral esquerdo
Altar lateral realizado por G. Fossati, 1870, com esculturas de Ceruti: à esquerda, um Profeta; à direita, um Santo segurando o Evangelho.
22. Retábulo de Nossa Senhora das Graças
Nossa Senhora das Graças em Majestade, venerada por Santo Estêvão, São Carlos Borromeu e pelos fiéis, óleo sobre tela de G. Cavagna, 1619.
23. Sobre a entrada da Capela do Santo Jesus
José na prisão interpreta os sonhos do copeiro e do padeiro do faraó, óleo sobre tela de A. Zanchi, cerca de 1690.
Transepto direito – 24–28
24. Medalhões da abóbada
Frescos de L. Galizzi, 1866:
A: Anunciação
B: Visitação de Maria a Santa Isabel
C: Triunfo dos Anjos
25. Altar lateral direito
Altar lateral realizado por G. Fossati, 1870, com esculturas de Ceruti: Moisés à esquerda e o rei Salomão à direita. Nos compartimentos do altar conservam-se relíquias de santos.
26. Retábulo da Virgem das Rosas
Virgem das Rosas com São Francisco e Santa Clara, óleo sobre tela de G. Cignaroli, 1752. O retábulo encontrava-se originalmente na igreja do mosteiro de Santa Maria di Rosate, na praça com o mesmo nome, na Città Alta de Bergamo.
27. São João XXIII
À esquerda do altar: São João XXIII, Papa, sentado, óleo sobre tela de A. Capelli, 2001.
28. Pintura sobre o retábulo
José apresentado ao faraó, óleo sobre tela de A. Zanchi, cerca de 1690.
Presbitério – 29–35
29. Medalhões da abóbada do primeiro tramo
Frescos de F. Bergametti, 1866:
A: Apresentação de Jesus no Templo
B: Jesus entre os Doutores do Templo
C: Anjos em adoração do Sagrado Coração de Jesus
30. Medalhões sobre o altar-mor
Frescos de L. Galizzi, 1866:
A: Alegoria da realeza de Cristo e de Maria
B: Anjos músicos
C: Triunfo dos Anjos
31. Concha da abside
A proclamação do dogma da Imaculada Conceição pelo Beato Pio IX, fresco de G. e G.B. Epis, 1866–1868.
32. Abside
A expulsão de Adão e Eva do Paraíso Terrestre, fresco de C. Maironi, 1865–1866.
33. Altar-mor
Altar em mármore policromado esculpido, segundo projeto de E. Pirovano, com esculturas de C. e A. Paleni, consagrado a 7 de dezembro de 1907. No nicho encontra-se uma estátua em madeira policromada da Imaculada Conceição, obra do escultor Casati, de Roma, benzida pelo Papa Leão XIII em 1878.
O friso em bronze representa as Heroínas do Antigo Testamento, obra de C. e A. Paleni.
34. Cadeiral do coro
Cadeiral em madeira entalhada, realizado por A. Gelpi, cerca de 1860.
35. Órgão
Órgão Balbiani–Vegezzi Bossi, de 1924, com transmissão eletropneumática e trinta e sete registos. A secção do Grande Órgão encontra-se na tribuna direita, enquanto o Recitativo, em caixa expressiva, se encontra na tribuna esquerda. O instrumento possui cerca de 2.200 tubos, alguns dos quais poderão ter pertencido ao anterior órgão Serassi de 1882.
Santo Jesus – 36–49
36. Santo Jesus antes da transfiguração de 1608
Sobre o portal de entrada: Santo Jesus antes da transfiguração de 1608, com São Bernardino de Siena e São Francisco, fresco destacado da parede e transferido, atribuído a F. Zucco, finais do século XVI – início do século XVII.
37. Abóbada do primeiro tramo
Anjos transportando a Cruz, fresco de G. Guglielmini, 1903.
38. Abóbada da capela
Na abóbada da capela, nos tramos da nave e no tramo do presbitério: medalhões com santos e figuras sagradas, frescos de G. Guglielmini, 1898: a Virgem Maria; Santa Inês; São Luís Gonzaga; Cristo coroado de espinhos; São Carlos Borromeu; São Bernardino de Siena.
39. Primeiro tramo à esquerda
Virgem com o Menino, São Vicente, Santo Alexandre e São Fermo, óleo sobre tela, escola lombarda, segunda metade do século XVI.
40. Sagrado Coração de Jesus
Estátua em madeira do Sagrado Coração de Jesus, realizada por G. Manzoni, cerca de 1948.
41. Primeiro tramo à direita
Santo António de Pádua, óleo sobre tela de A. Spinelli, cerca de 1900, e estátua de Santo António de Pádua realizada por C. Manzoni, cerca de 1900.
42. Via-Sacra
Via-Sacra, óleo sobre cobre, finais do século XIX, situada no primeiro tramo e no átrio da capela.
43. Segundo tramo à esquerda
Sagrada Família, óleo sobre tela de A. Spinelli, 1900.
44. Segundo tramo à direita
Virgem com o Menino, São Carlos Borromeu e São Sebastião, óleo sobre tela de F. Salmeggia, 1627.
45. Terceiro tramo à esquerda
Virgem com o Menino em glória e São Diogo em oração, óleo sobre tela de E. Salmeggia, 1594.
46. Terceiro tramo à direita
Pietà com São Bernardino, São Francisco, Santa Margarida de Cortona e São Benedito, o Mouro, óleo sobre tela de C. Adolfi, cerca de 1730.
47. Presbitério
Nichos com estátuas em madeira de São Francisco e Santa Margarida de Cortona, finais do século XIX.
48. Altar
Altar realizado por G. e C. Caniana, 1761, em madeira de nogueira entalhada e parcialmente dourada, com embutidos de madrepérola e outras madeiras preciosas. Sobre o altar encontrava-se originalmente a obra indicada no ponto 26. No altar conserva-se também a estátua Cristo morto, de G. Manzoni, 1957.
49. Santo Jesus
Sobre o altar encontra-se o Santo Jesus, fresco destacado da parede e transferido para este local em 1889. Segundo a tradição, a imagem foi pintada na parede exterior do convento por vontade de São Bernardino de Siena e foi milagrosamente transfigurada a 15 de setembro de 1608.
Frescos – 50–52
50. Frescos da antiga igreja
Frescos de Giacomo de’ Scanardi (1489–1494) e Jacopino Scipioni (1508), provenientes da antiga igreja do convento delle Grazie.
51. Poço do século XV
Poço do antigo convento, datado do século XV, com uma profundidade de aproximadamente 11,50 metros.
52. Sagrado Coração e Políptico
Estátua em madeira do Sagrado Coração de Jesus, de G. Manzoni, 1948. Reconstrução do Políptico da antiga igreja de Santa Maria delle Grazie, obra de Vincenzo Foppa, 1506.
Sacristia e claustro – 53–54
53. Sacristia
Mobiliário, antigas vestes litúrgicas e galeria de retratos dos párocos.
54. Claustro do século XV
Única parte conservada do convento de Santa Maria delle Grazie, com um pórtico de arcos de volta perfeita. O claustro conserva inscrições e testemunhos arquitetónicos e pictóricos do antigo complexo conventual.
Para visitar o claustro, dirija-se à sacristia.
Principais datas
1422 – Pietro d’Alzano doa a São Bernardino de Siena um terreno para a construção do convento de Santa Maria delle Grazie.
1427 – A antiga igreja é solenemente consagrada.
1575 – A imagem do Santo Jesus sangra milagrosamente; São Carlos Borromeu favorece depois a sua devoção.
1608 – A 15 de setembro ocorre a transfiguração milagrosa da imagem do Santo Jesus.
1857 – Tem início a construção da igreja atual, segundo o projeto do arquiteto Antonio Preda.
1875 – A nova igreja é consagrada como Santuário Diocesano de Santa Maria Immacolata delle Grazie.
1889 – A antiga Capela do Santo Jesus é demolida e a imagem sagrada é transferida para a capela da nova igreja.
1907 – O Bispo de Bergamo, Giacomo Maria Radini-Tedeschi, consagra o novo altar-mor.
1915–1918 – Durante a Primeira Guerra Mundial, o claustro é utilizado como hospital militar.
